“Está tudo bem.”
Às vezes, essa frase significa exatamente o que diz. Em outras, é apenas a resposta mais rápida para encerrar uma conversa que o homem ainda não sabe como começar.
Hoje, 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, vale falar sobre um comportamento comum entre os homens: a dificuldade de reconhecer — e principalmente de dizer — que alguma coisa não vai bem.
Muitos cresceram ouvindo que deveriam ser fortes, controlar as emoções, resolver os próprios problemas e seguir em frente sem incomodar ninguém. Aprenderam a conversar sobre trabalho, dinheiro, futebol e planos para o futuro, mas não sobre medo, tristeza, solidão ou sensação de fracasso.
O resultado é que alguns continuam trabalhando, encontrando os amigos e cumprindo seus compromissos enquanto enfrentam uma batalha silenciosa.
Continuar funcionando não significa necessariamente estar bem.
Quando ser forte significa sofrer sozinho
Existe uma diferença entre autonomia e isolamento.
Enfrentar problemas faz parte da vida adulta. A dificuldade começa quando o homem acredita que pedir ajuda representa fraqueza, incompetência ou falta de controle.
Problemas financeiros, desemprego, conflitos familiares, separações, doenças, solidão e sofrimento no trabalho podem afetar profundamente a saúde emocional. Muitas vezes, o homem tenta encontrar uma solução antes de contar o que está acontecendo. Quando percebe que não está conseguindo, pode sentir vergonha de admitir a situação.
Assim se cria uma armadilha: quanto mais sofre, mais se afasta; quanto mais se afasta, mais difícil parece pedir ajuda.
Nem todo pedido de ajuda é feito com palavras
Uma pessoa em sofrimento nem sempre dirá claramente que precisa conversar.
O pedido pode aparecer no afastamento dos amigos, no abandono de atividades de que gostava, na irritação constante, no aumento do consumo de álcool, no descuido pessoal ou em mudanças importantes de comportamento.
Um sinal isolado não permite tirar conclusões. Mas quando várias mudanças aparecem ao mesmo tempo ou permanecem por um período, vale se aproximar.
Não para fazer um diagnóstico. Para estar presente.
“Tudo bem?” virou uma saudação automática. Talvez uma pergunta mais honesta seja: “Como você está de verdade?”
E, depois de perguntar, é preciso ouvir.
Nem toda conversa precisa de um conselho. Frases como “tem gente passando por coisa pior” ou “você precisa reagir” podem aumentar a sensação de isolamento. Uma resposta simples costuma ajudar mais:
“Eu não sei exatamente o que dizer, mas estou aqui com você.”
Pedir ajuda também é coragem
A ideia de força masculina precisa amadurecer.
Força não é fingir que nada nos afeta, nem suportar tudo até chegar ao limite. Em alguns momentos, a atitude mais corajosa é reconhecer que os próprios recursos não estão sendo suficientes.
Procurar um psicólogo, psiquiatra, médico, unidade de saúde ou alguém de confiança não diminui ninguém. É uma forma de cuidar da própria vida e das pessoas que caminham conosco.
Talvez não seja possível resolver a vida de alguém em uma conversa. Mas é possível interromper o silêncio.
Lembre-se daquele amigo que anda mais distante. Mande uma mensagem, faça uma ligação ou convide para um café. Pergunte como ele realmente está — e fique tempo suficiente para ouvir a resposta.
E, se esse homem for você, não espere tudo desmoronar para procurar ajuda.
Você não precisa enfrentar tudo sozinho.
Onde procurar ajuda
Se você estiver em sofrimento emocional, procure alguém de confiança ou um serviço de saúde.
O Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, disponível 24 horas por dia, e pelo site cvv.org.br.
Também é possível procurar uma Unidade Básica de Saúde ou um CAPS. Em uma situação de risco imediato, procure uma UPA, pronto-socorro ou ligue para o SAMU pelo número 192.
Pedir ajuda é um passo de cuidado. Com você e com quem está ao seu lado.
