Quando você tinha 15 anos, provavelmente não precisava marcar um horário para encontrar seus amigos.

Eles simplesmente estavam lá.

Na escola, na rua, no futebol, na faculdade, no bar. Depois vieram trabalho, casamento, filhos para alguns, mudanças de cidade, responsabilidades e cansaço.

E aquele amigo que você encontrava quatro vezes por semana começa a aparecer quatro vezes por ano.

A amizade perdeu sua facilidade

Quando somos jovens, a vida cria encontros por nós. Frequentamos os mesmos lugares, vemos as mesmas pessoas e compartilhamos experiências constantemente.

Depois dos 40, essa estrutura praticamente desaparece.

Um trabalha demais. Outro mudou de cidade. Outro tem filhos pequenos. Os horários não combinam. E cinco adultos precisam consultar a agenda para conseguir tomar uma cerveja juntos.

Isso não significa que precisamos menos dos amigos.

Pesquisas sobre amizade mostram que a qualidade dessas relações continua associada ao bem-estar e à sensação de solidão ao longo da vida.

Talvez a diferença seja simples:

na juventude, a amizade acontece. Na vida adulta, precisamos fazê-la acontecer.

Homens geralmente precisam de um motivo

Muitas amizades masculinas surgem enquanto alguma outra coisa está acontecendo.

Futebol. Academia. Trabalho. Pesca. Ciclismo. Igreja. Música. Moto. Churrasco.

Não precisamos necessariamente ligar para alguém e dizer:

“Precisamos fortalecer nossa amizade.”

É muito mais provável dizer:

“Vamos tomar um café sábado?”

A amizade vem junto.

Talvez seja justamente por isso que hobbies e atividades em grupo sejam tão importantes na vida adulta. Eles devolvem algo que perdemos com o tempo: um motivo recorrente para encontrar as mesmas pessoas.

O perigo do “vamos marcar”

Homens também possuem uma habilidade curiosa.

Passamos meses sem conversar com um amigo e, quando nos encontramos, parece que a última conversa aconteceu ontem.

Existe algo bonito nisso.

Mas também existe uma armadilha.

Amizades resistentes não são indestrutíveis.

Muitas provavelmente não acabam depois de uma grande discussão. Acabam lentamente.

Uma semana vira um mês.

Um mês vira um ano.

Até aparecer aquela frase clássica:

“Cara, precisamos marcar alguma coisa.”

Todo mundo concorda.

E ninguém marca.

Talvez amizade depois dos 40 seja isso

Não precisamos transformar amizade masculina em uma discussão complicada.

Às vezes ela aparece em frases muito simples:

“Chegou bem?”

“Precisa de ajuda?”

“Vou passar aí.”

“Assiste o jogo aqui em casa.”

“Quer tomar um café?”

São frases pequenas que podem dizer coisas grandes.

E talvez a amizade adulta exija justamente aquilo que tínhamos de sobra quando éramos jovens:

presença.

Então pense naquele amigo que você não encontra há algum tempo.

Talvez vocês não tenham brigado.

Ninguém fez nada errado.

A vida simplesmente ficou cheia.

Você provavelmente já pensou em um nome enquanto lia este texto.

Então faça uma coisa simples.

Pegue o celular.

Procure o contato.

E escreva:

“Cara, quanto tempo. Vamos tomar um café?”

Às vezes amizade depois dos 40 começa exatamente assim.

De novo.


Casa Barros

Nem tudo é sobre produto. Algumas coisas são sobre estilo, personalidade e a maneira como escolhemos viver.